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    O metro da casa em São Paulo sai pela metade. A casa, não.

    3 min de leitura

    Acompanhamos 774 casas e 2.898 apartamentos à venda na capital. O metro da casa saiu pela metade. O cheque, não: a casa mediana ainda pedia 22% a mais.

    Se você está em dúvida entre casa e apartamento, o metro quadrado parece o jeito justo de comparar. Um número só, dois tipos de imóvel. O problema é que esse número esconde o tamanho — e, com o tamanho, o valor que de fato sai do bolso.

    Entre 29 de agosto e 8 de outubro de 2026, o Pousoraro acompanhou 774 casas e 2.898 apartamentos à venda na capital, ainda no ar no dia 15. A mediana do preço pedido da casa foi R$ 5.833/m². A do apartamento, R$ 11.960/m². Quase o dobro.

    O cheque total corre para o outro lado. A casa mediana pedia R$ 952 mil por 188 m². O apartamento, R$ 780 mil por 70 m². A casa é quase três vezes maior — e ainda assim sai 22% mais cara.

    Na prática, o metro barato da casa não é economia. É área. Você paga menos por cada metro porque está comprando bem mais metros.

    Escura: casa. Clara: apartamento. R$/m², mediana · até 8 out 2026 · Preço pedido nos anúncios monitorados. Não é preço de transação.

    Em setembro, o FipeZAP apontou a média anunciada de venda em São Paulo em R$ 12.206/m². O índice olha apartamentos prontos; nós usamos mediana e outra cesta de anúncios. Os dois ficam perto. O que o índice não mostra é a casa.

    No bairro, o desenho se repete

    Onde há casas o suficiente para comparar, o padrão é o mesmo. Em Santana, 26 casas pediam R$ 5.847/m² e R$ 1.019.000. Os 67 apartamentos do mesmo distrito pediam R$ 10.000/m² e R$ 880 mil. Metro mais barato na casa. Preço mais alto na casa.

    Na Saúde, a mesma história: 40 casas a R$ 6.802/m² e R$ 1.375.000, contra R$ 10.941/m² e R$ 700 mil em 92 apartamentos. Vila Mariana e Santo Amaro seguem o padrão. Santo Amaro tem poucos anúncios — 20 casas e 73 apartamentos. Dá para ver o desenho, não para ranquear o bairro.

    O metro da casa é o mais barato da comparação. A casa continua sendo o imóvel mais caro.

    Isso não condena a casa nem coroa o apartamento. A casa mediana aqui tem três quartos e quase o triplo da área. Condomínio, manutenção e terreno entram na vida real de formas que o preço pedido do apartamento não espelha. E a amostra de casas é menor, com mais peso do QuintoAndar.

    O que muda na busca é qual limite você usa. Se o teto é o valor total, o apartamento mediano ainda cabe abaixo da casa. Se o teto é o metro, a casa parece pechincha — e engana.

    Se a dúvida é casa ou apartamento, um alerta com tipo de imóvel e teto de preço evita misturar as duas contas no mesmo feed.

    Como lemos os dados

    • Recorte: anúncios que entraram na base até 8 de outubro de 2026 e continuavam ativos em 15 de outubro. A data é a chegada ao Pousoraro, não a publicação no portal. Quem saiu do ar antes do dia 15 não entra.
    • Capital de São Paulo. Casas: 40 a 800 m² e preço pedido entre R$ 150 mil e R$ 20 milhões (774). Apartamentos: 18 a 350 m² e preço entre R$ 80 mil e R$ 15 milhões (2.898).
    • Tiramos o pino genérico da cidade (−23,5475, −46,6361). Ele jogava mais de 1.800 apartamentos à venda em um único ponto, dentro da Sé, sem endereço útil.
    • Usamos mediana. Itaim Bibi ficou fora do gráfico: um único ponto reunia 61% das casas do distrito e, sem ele, a mediana do m² caía 31%.
    • Fontes das casas: QuintoAndar (454), OLX (158), VivaReal (138) e Chaves na Mão (24). São preços pedidos, não escritura. O FipeZAP de setembro também é índice de anúncio, e de apartamento.