Em São Paulo, o metro do apartamento pequeno sai bem mais caro. O do 2 quartos, não.
Acompanhamos 1.975 apartamentos à venda na capital. Nos compactos, a mediana do m² foi 55% maior do que na faixa de 41 a 60 m², o trecho mais barato da curva.
Quando a gente procura apartamento, o primeiro número que olha é o preço total. Faz sentido: é ele que precisa caber no bolso. Mas existe outra conta, menos óbvia, que muda bastante a decisão: quanto você paga por cada metro.
Entre 29 de agosto e 11 de setembro de 2026, o Pousoraro acompanhou 1.975 apartamentos à venda na capital. A mediana do preço pedido foi R$ 11.292/m². Em agosto, o FipeZAP apontou uma média anunciada de R$ 12.143/m² para a cidade. Os métodos são diferentes (média de um lado, mediana do outro), mas os dois números têm o mesmo problema: um valor único esconde o formato da curva.
E, nos anúncios que vimos, essa curva não é uma rampa. É um U.
Apartamentos de até 40 m² (391 anúncios) pediam R$ 13.200/m² na mediana. Na faixa seguinte, de 41 a 60 m² (415 anúncios), o metro caía para R$ 8.537. Ou seja: o compacto custa 55% a mais por metro, e o preço total quase não muda (R$ 400 mil contra R$ 430 mil).
Na prática, quem escolhe o studio não está economizando. Está pagando quase o mesmo por bem menos espaço.
Depois dessa faixa, o m² volta a subir: R$ 10.484 de 61 a 80 m², R$ 12.073 de 81 a 120 m² e R$ 12.871 acima de 121 m². Lá em cima já é outro mercado, com preço mediano de R$ 2,2 milhões. O fundo do U fica no meio: o apartamento que não é micro nem cobertura.
O compacto e o grande encarecem o metro. O 2 quartos, no meio, é o que sai mais barato.
Um quarto puxa o m² para cima. Dois, para baixo.
Quando separamos por número de quartos, a história se repete. Nos 451 anúncios de 1 quarto, a mediana foi R$ 14.800/m². Nos 747 de 2 quartos, o maior grupo, foi R$ 9.392/m². São 58% de diferença. Com 3 quartos, o m² volta a R$ 11.396; com 4, chega a R$ 13.275, numa amostra menor (127 anúncios).
Isso não é um segredo paulistano. O informe FipeZAP de agosto mostra o mesmo padrão no Brasil todo: imóveis de 1 dormitório a R$ 12.184/m² na média nacional e os de 2 dormitórios a R$ 8.932/m², o valor mais baixo da amostra.
Em São Paulo, o padrão aparece mais forte. E os anúncios mostram um detalhe que o índice nacional não mostra: quem segura o m² lá embaixo é a faixa de 41 a 60 m², não o apartamento enorme.
No aluguel, o compacto também cobra mais
A amostra de locação é maior e tem mais peso do QuintoAndar: 3.656 apartamentos na capital no mesmo período, com mediana de R$ 3.100 por mês, ou R$ 68/m². Até 40 m² (1.550 anúncios), o metro pedido foi R$ 86. De 41 a 60 m² (846), R$ 56. De novo, cerca de 54% a mais no compacto. Por quartos, a diferença é parecida: R$ 91/m² para 1 quarto e R$ 53/m² para 2.
Nada disso faz do studio um mau negócio. Ele oferece outras coisas: menos área para cuidar, muitas vezes um prédio mais novo, às vezes um endereço mais central. Só que essa conveniência já vem embutida no preço de cada metro.
Se o que você procura é o metro mais em conta, os anúncios que vimos apontam para a faixa de 41 a 60 m² e para o 2 quartos.
Está em dúvida entre um studio e um 2 quartos? O alerta do Pousoraro combina metragem, quartos e teto de preço numa busca só. A busca avulsa mistura tudo no mesmo feed. O alerta, não.